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As palavras que o vento não levou

querer .

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Quero um pouco daquilo que não cabe no certo.

Daquilo que excede o correto.

Do que cria o errado.

E se faz o incerto.

 

Quero sentir o toque daquilo que não se pode tocar.

Quero a incerteza na certeza.

Quero olhar aquilo que não se vê.

Quero o aroma sublime das manhãs de Inverno.

 

Quero a febre do domingo à noite.

As cefaleias da segunda de manhã. 

Os "tanto faz" de terça, quarta e quinta.

As taquicardias de sexta à noite.

E as ressacas de sábado de manhã.

 

Quero sempre mais.

Quero os abraços que aconchegam.

Quero o mau humor matinal.

Quero o café da manhã forte.

 

Quero vida no tempo.

E tempo na vida.

Quero, querer.

 

 

 

 

por um sussurro .

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  Sabes onde me encontro? Sentada no banco de jardim, onde o teu olhar repousa no meu ombro e me aconchega, onde o teu toque se torna repreensivo no martírio do que foi contra a lei. Revoltas-te com tão pouco que me chega a parecer tanto... tanto quanto a certeza de que nada pára para que consigas atravessar a ponte, sobre o riacho que te guia ao meu banco predileto de jardim. Esse mesmo onde sou musa dos meus sonhos e muda nos ecos da minha mente. Sento-me, mesmo que o dia seja de tempestade. Não haverá sol a raiar tão belo quanto o de contemplar o teu sorriso.

  Espero-te no fim de um dia cansada. Espero-te em todos os meus dias, na doce esperança de cruzar meus olhos nos teus. De encontrar o alento que me guia, me seduz e me faz saber quem sou e o que sou. Inalo o oxigénio desta atmosfera, inspiro-te nos meus sentidos, expiro-te na vontade de te definir em eufemismos. Na ânsia de te querer mais do que ter.

  Querer-te na vontade de te ter e ter-te por te querer. Saber que cada sensação de posse poderá ser por um momento apenas, ou por uma vida inteira. Caminho, acreditando. Ao caminhar, largo o meu odor pelo percurso e espero-te, no desejo de que sigas as pegadas do meu aroma, que me identifiques sem mas nem porquês. Só porque sim. Só porque os teus passos sentem essa vontade, sentem que esse é o trilho secreto.

  Como se toda a vida me tivesses respirado e me soubesses detetar pelas ruas do amor... ruas ora amargas, ora doces, onde os nossos sorrisos se re-inventam e toda a magia parece real. Tão real que não são precisos varinhas e chapéus de fantasia pois, tudo se cria naturalmente, como se fosse inato no nosso ser, na junção desta palavra que se assusta com definiçõesobjetivas. Quer apenas debruçar-se sobre a imperfeição e equilibrar-se na corda bamba da dança que nos envolve. Sem joanetes e esporões, sem necessidade de tirar o salto alto, porque a dor ameniza com o nosso toque, com a fusão das nossas conjugações. Tempo certo. Pessoa ideal. Não há invenções gramaticais, há uma loucura tremenda em conquistar o mundo. Um desejo, mútuo, de enfrentar 1000 medos e inventar ventos e luas... o Sol, esse, seremos nós. Basta abrir a janela, olhar-me ao espelho e ver-te a ti... deixar que a tempestade passe lá fora e que, cá dentro as 500 sombras de tornados sejam a procura do comando que se envolveu nas nossas brincadeiras e se perdeu pelos lençóis.

 

- Tenho que me ir embora. - dizia-lhe ela.


- Fica só mais um sussurro. (Não, não queria dizer segundo...)


- Deixo-te todos os meus sussurros aconchegados na solidão que habitava no meu peito antes de te conhecer. Entrego-te toda a minha alma, nua, para que a possas colorir, sem medo. O meu corpo grita pelo teu, mas creio que não o chegas a sentir.

 

- Eu sinto. Sinto-o desde o primeiro dia, naquela troca de olhares inconstantes.

 

 

 

a rapariga no comboio .

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 «A Rapariga no Comboio é o mais envolvente romance com um narrador inconfiável...»

                                                                           

                                                                        New York Times

 

    Confesso que desde que ouvi falar deste livro fiquei curiosa. Com imensa vontade de o ler. O próprio título chamou-me à atenção, por ser diferente. Por não indicar a típica história de amor em que a princesa encontra o seu príncipe encantado, que chega no cavalo branco e são felizes para sempre. Cativou-me, e como tal não descansei enquanto não o comprei.

   Além disso, a capa... A própria capa faz-nos viajar. De comboio, como o título indica. O ligeiro desfocado da imagem com a sombra que acompanha o título. Na minha opinião, adequa-se perfeitamente ao título.

 

   Iniciei então a minha aventura por este livro. Já tinha ouvido falar dele. Já tinha lido críticas noutros blogs. Então, deixa-me ler e formar a minha opinião.

   Apanhei o primeiro comboio. Sentei-me na primeira carruagem e deixei-me levar ao sabor de cada palavra. O início não é o mais cativante, mas também porque temos o tempo para nos adaptarmos às personagens, criarmos a nossa imagem delas. Eis que depois, já na terceira carruagem tudo começa a ganhar o seu sentido. Começa a criar o seu suspanse. 

   Chega a um ponto, que parar se torna impossível. O simples mudar de capítulo nos inquieta e cria-nos 1001 finais.

 

   Eu, pessoalmente, adoro livros que sejam imprevisíveis. Daqueles que tudo parece culpado e quando chega ao fim, aquele com ar de inocente é o culpado. Este livro foi um bocadinho assim.

Inesperado. Imprevisível.

Olhem, eu cá gostei muito.

Já alguém o leu? Gostaram?

 

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