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As palavras que o vento não levou

por sermos assim .

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Enquanto te espero, desespero.

Nas linhas, ténues, que nos unem. Essas mesmo que nos separam.

Nas águas em que mergulhamos. Essas mesmo em que nos afundamos.

Nas travessias em que nos encontramos. Essas mesmo em que nos perdemos.

Nos ventos que nos acariciaram. Esses mesmo que nos arrepiaram.

Nos voos que sonhamos. Esses mesmo em que tropeçamos.

No tempo que vivemos. Esse mesmo que nos derrubou.

De tudo o que fomos. Ao que nada somos.

 

Enquanto me esperas, desesperas.

Pela vida fora.

Pelos cabelos quebradiços.

Pela preguicite aguda.

Pela vontade de ter, sobreposta à de ser.

Pela intensidade que se desfaz no colmatar de cada passo.

Nos obstáculos que nos derrubam.

Por de tão fortes, sermos. Fracos, parecermos.

Por sermos assim.

 

Nada mais do que esperas, desesperantes.

Talvez seja isso que nos difere do mundo lá fora.

Enquanto esperamos, no nosso canto, desesperamos pelo que é só nosso. 

Por diversificarmos o inexistente.

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